Ares que sopram da Zambujeira…

O grande festival do ano tem novo nome confirmado: e não é que era o último que eu andava a pedir no sapatinho?

AIR – depois do recente lançamento de Talkie Walkie e já com uma série de grandes álbuns na prateleira vão tocar no último dia do festival da Zambujeira do Mar: 8 de Agosto. Há quem diga que os Air ao vivo não são a mesma coisa, e que o outro concerto deles no Sudoeste foi uma desilusão… Não importa, I’ll be there e o melomanias servirá de testemunho posterior. A música electrónica ao vivo nem sempre funciona muito bem, mas os Zero 7 contrariaram essa tendência no passado concerto do Coliseu de Lx. E os Air só lhes estão atrás na sequência temporal com que lançam as suas fórmulas musicais (uma sequência cronológica, claro, em que “atrás” remete para anterior)…

A crítica gostou do álbum deste ano. A crítica não era muito fã de 10 000 Hz Legend. A crítica queria um “verdadeiro” sucessor de Moon Safari, é que parece que a lenda tinha sintetizadores a mais. Sinfónico, diziam uns. Forçado, parecia a outros. O tempo e a história da música têm-se encarregue de provar que:

a) São os artistas que introduzem algo de original que marcam uma viragem e se tornam influências;

b) São os artistas que conseguem evoluir em várias direcções – por oposição à estagnação do uso recorrente a uma fórmula já gasta – de forma competente e inovadora, que são alvo de reconhecimento, pelas suas capacidades multi-qualquer coisa, e pelo seu ecletismo musical.

c) Se os primeiros surpreendem pela originalidade e os segundos pela originalidade com que misturam o que já não é (tão) original, e passando ao lado de outras categorias possíveis, mas desprovidas de interesse para o assunto de que aqui se trata, os Air inserem-se nesta categoria que mistura originalmente originalidade com originalidade.

E para quem ficou confuso, eu explico: Moon Safari surpreendeu. Gerou influências sobre a electrónica que se tem vindo a fazer entretanto (a referência aos Zero 7 mais “atrás” não surge por acaso). Na banda sonora que se lhe segue, As Virgens Suicidas a fórmula é reutilizada, mas no sentido de uma reciclagem adaptada ao próprio filme de Sofia Coppola. Sonoridades etéreas, e em que a voz só pontualmente surge, num Playground Love pueril, mas de algum modo consciente ou numa montagem de vozes do filme que reavivam as imagens para quem viu a primeira longa-metragem de Sofia Coppola. No safari lunar a voz evidenciava-se mais, e as canções tomavam corpo, no verdadeiro sentido de canção, não tão pura sonoridade.

Mas 10 000 Hz Legend veio quebrar este ciclo harmonioso de um veludo sonoro. Trouxe ironia, excelentes colaborações com Beck – e é de facto o álbum que justifica a proximidade entre a música de ambos – trouxe diferença que foi para muitos incomportável porque não pareciam os mesmos Air. Confesso, 10 000 Hz Legend foi o primeiro álbum d Air que conheci. Por isso não tinha motivos para ficar chocada. Face à ausência de preconceitos sonoros, fiz o que podia fazer: adorei. Adorei o “How Does It Make You Feel?” que já conhecia e cuja frase final desconcertante não o é em dose suficiente para anular a sensação romântica deixada pela letra da canção. O “Don’t Be Light”, que é aquela incógnita expressão para “não sejas leve/luz” (mas é bom ficar confuso). O Beck que lá surge, aqui e no “The Vagabond” é como só ele consegue ser – e se o “Don’t Be Light” tem um Beck mais à la Air, já no “The Vagabond” tem-se um Beck à la Beck que surge num álbum dos Air. “Radio #1” é um caso especial: se inicialmente gostava da canção pela facilidade com que se trauteava o refrão, depressa me cansei e comecei a abominá-la, por fácil demais. Engano meu. Após posterior análise, e dado que me vi na necessidade de fazer aquilo a que frequentemente me escuso e que é a racionalização dos meus likes & dislikes musicais, fiz aquilo a que se poderia chamar ouvir nas entre-pautas. É que esta canção é muito provavelmente uma das mais irónicas que os Air já compuseram e embora não tenha mesmo assim entrado para a lista dos favoritos, merece o crédito que os críticos não lhe têm dado. A ela e às outras desse abominado disco.

Depois da lenda sonora viajei para a lua, conheci as virgens mesmo antes de se suicidarem (ou seria depois?), e os sintomas que estiveram na origem de tudo… Depois fui conhecer os remixes da lenda e mais tarde aquele aparelho que serve para comunicar, mas não é um telemóvel… Falta-me conhecer as leituras citadinas do italiano Alessandro Barrico sonorizadas pelos Air. Mas it’s been a long way together e parece-me que tive a sorte de me surpreender sempre de forma positiva com cada novo punhado de canções destes franceses que iam entrando na minha discografia pessoal.

E isto tudo só porque o Blitz disse que o Diário Digital tinha dito que o site oficial dizia, mas a MNC não confirmara ainda que os Air vão estar no Sudoeste Alentejano este Verão. Foi há dois anos e será agora de novo. E quero vir aqui dizer, depois desse dia 8 de Agosto, que os meus amigos não tinham razão (só desta vez, não se zanguem) e que os Air ao vivo continuam a ser uma grande banda.

Ficam prometidas mais digressões aéreas para breve. As companhias aéreas têm andado a fazer promoções especiais para destinos que têm cumprido (e bem) as expectativas. E quando os aviões não chegarem lá, we can always go “surfin’ on a rocket”.

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