Where’s my Neverland?

Johnny Depp já provou com tesouras e adereços de pirata ter pontaria para escolher os papéis. Nem sempre pelos filmes na sua forma global, mas pelo que de genial podemos encontrar nas personagens que encarna, que de forma recorrente vão buscar à excentricidade a sua essência modelar. Nesse campo poder-se-ia dizer que Johnny Depp e Tim Burton, elementos à parte no mundo da sétima arte, muito partilham entre si. Mas deixemos o Eduardo a tratar dos seus arbustos por ora.

O que motiva esta abordagem do excêntrico que há no cinema é a carência que dele se sente na vida fora da tela. «Finding Neverland» é a génese de Peter Pan e de como os adultos encontraram forma de nunca abandonarem a criança interior. Johnny Depp é simultaneamente criador e personagem central da sua peça, embora a inspiração tenha origens múltiplas, entre estímulos e pessoas que o rodeiam. Dificilmente se poderá encaixar Depp num perfil, porque entre o pirata e o argumentista, o tique que define cada um é em simultâneo denominador comum nessa opção pelo extraordinário e traço distintivo entre cada faceta refractada.

E no entanto é precisamente por essa busca da diferença que de alguma forma conseguimos encontrar constância nos caminhos por onde segue, por mais absurdos que nos possam parecer os mundos que os ladeiam. A Terra do Nunca, ao pôr em prática todas as impossibilidades do mundo material, providencia ao espírito de Peter / Depp uma matéria-prima de capacidades infinitas, tão limitada quanto a imaginação. Mas deixando por momentos a história em si para pegar no seu impacte sobre cépticos e crentes, chega-se à confrontação da pessoa que vê o filme consigo própria. “Where’s my Neverland?”

E através da neblina auto-censória do nosso consciente / inconsciente chegamos à terra de niguém onde as decisões mais íntimas tomam lugar. Se calhar são só leituras a mais do «Principezinho», mas essa pergunta regressa de forma recorrente. E, de resto, porque é que para sermos adultos temos de matar a criança que há em nós?

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