Alienação consciente e alienação informada

Acompanhar diariamente o telejornal pode significar que se está informado, mas não é necessariamente sinónimo de que se está consciente do que se passa no mundo. O que se passa no mundo abarca muito mais do que aquilo que cabe no pequeno ecrã (ou na imprensa ou na rádio ou no jornal electrónico). Os acontecimentos, percepcionados através de olhos e mentes humanas providas de idiossincrasias e valores, são encaixados em categorias narrativas pré-existentes onde a complexidade e a ambivalência são reduzidas ao máximo. Já Gaye Tuchman caracterizava as notícias como construções sociais da realidade, pelo que uma análise de como se processa o discurso jornalístico pode ser mais reveladora sobre a nossa época do que aquilo que é dito per se.

Se quem se entrega às artes, aos discursos teóricos mais abrangentes da análise das ciências sociais e se abstrai simultaneamente do vocabulário jornalístico do dia é caracterizado como um ser alienado, não será certamente por ignorar as multiplicidades da lógica e da natureza humana. Daqui decorre uma alienação consciente.

Mas não se congratule já o filho pródigo da sociedade da informação. Se estar informado for conhecer os detalhes, os números e os nomes, é suficiente acompanhar as notícias diárias. Mas estar em condições de se reproduzir o discurso jornalístico não é sinónimo de menor alienação. É uma alienação informada, por assim dizer.

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