A difícil via da abstracção total

Pensar o nada exige um grau de concentração muito mais profundo do que pensar alguma coisa.

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8 thoughts on “A difícil via da abstracção total

  1. Hmm, dois segundos entre o acordar e o despertar efectivo sente-se de facto uma inconsciência agradável. Esse momento tão breve é logo sucedido pelo choque de reconhecer o que se passa à nossa volta.Normalmente não me apercebo deste limiar, a não ser quando me sinto deprimida, altura em que o estado de consciência é mais doloroso do que o habitual – o que eleva a diferença entre os dois estados ao cubo…Independentemente de esse poder ou não ser identificado como um exemplo de não pensar em nada… é de facto uma das experiências mais próximas que tenho ao estado Zen… entendido dessa forma. Mas o princípio não é que a uma abstracção inicial se siga a concentração em determinadas ideias? Uma espécie de “tábua rasa” auto-inflingida para renovar o processo de acumulação de conhecimento?

  2. Como disseste, no limite será como desligar o pensamento. E sim, acredito ser possível.É como passar para outra dimensão. O quadro mais próximo que consigo encontrar é aquele estádio no limiar do sono em que tens uma agradável sensação de pairar sobre as nuvens.E agora vou deixar-te aqui uma história…BeijosUMA TAÇA DE CHÁNan-in, um mestre japonês de era Meidji (1868-1912), recebeu um professor universitário que viera informar-se sobre o Zen.Nan-in serviu chá. Encheu a taça do seu visitante e, depois, continuou a deitar.O professor observou aquele transbordar até que não pôde conter-se por mais tempo:- Está a deitar por fora. Não cabe mais nada!- Tal como esta taça, – disse Nan-in, estás cheio com as tuas próprias opiniões e conjecturas. Como poderei revelar-te o Zen, se antes não esvaziares a tua taça?Nyogen Senzaki e Paul Reps, em101 Histórias Zen

  3. Mas será possível pensar o nada para lá do ‘pensar que não se está a pensar em nada’? No limite seria semelhante a desligar o pensamento, já que pensamos sempre tendo algo como objecto.E se conseguirmos, de facto, deixaremos de existir? :p (em interpretação livre da expressão cartesiana “Penso, logo existo”)E ainda… não é curioso que utilizemos com tanta frequência a expressão “não estou a pensar em nada” precisamente para negar o pensar algo de muito concreto, mas que apenas não queremos divulgar?Hmmm, e será que podemos aplicar à expressão “não estou a pensar em nada” as regras da dupla negativa e desmascarar assim esses impostores? :p

  4. Quando se atinge um estado de relaxamento tal que não se sente o corpo (os músculos foram distendidos e afrouxados por grupos, dos pés à cabeça) a respiração foi também gradualmente deixando de se notar, e por último – e quanto a mim, o mais dífici -, o pensamento foi focalizado num “quadro”, como um campo de girassóis, por exemplo, ou em “nada” o que pressupõe que de cada vez que o pensamento foge, ou pelo contrário, de cada vez que a mente é invadido por um pensamento este terá que ser varrido. Esta é uma prática do yoga, e não só, muito difícil para nós ocidentais.

  5. As coisas que tu vais buscar! 😉 =PDesculpa(em) lá os dois comentário, da primeira vez não apareceu a mensagem de “sucesso”.

  6. Era apenas um exercício de abstracção. Afinal, o Ghostbusters já tinha demonstrado como é difícil pensar em nada. E recordo-me agora do Nothing do Vincenzo Natali, a propósito disto, mas que leva a tese um pouco mais longe: o que apagamos na nossa mente desaparece igualmente do plano real. Mas a imaginação artística e a teorização abstracta nem sempre podem ser seguidas pela concretização real. Divagações…

  7. Em que momento é que se sabe que se está a pensar no nada?Então se nos apercebemos de que estamos a pensar em nada é porque estamos a pensar no que se está a pensar.Se pensamos nalguma coisa não pensamos no nada.Para pensarmos no nada não se pode ter consciência de que se está a pensar em nada. Limitar a consciência, só sem concentração.

  8. Em que momento é que se sabe que se está a pensar no nada?Então se nos apercebemos de que estamos a pensar em nada é porque estamos a pensar no que se está a pensar.Se pensamos nalguma coisa não pensamos no nada.Para pensarmos no nada não se pode ter consciência de que se está a pensar em nada. Limitar a consciência, só sem concentração.

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