O denominador comum

“Toquem aquela canção!” – é piada lançada ocasionalmente por jovens frequentadores de festivais de música e de concertos na ZdB. Todos sabemos qual é a canção e ninguém sabe a que tema se referem. É o óbvio, tão óbvio que se recusam a denominá-lo e como tal permanece obscuro para os que não detectam as evidências em causa.

É como no caso da notícia. Falam da opinião que está mal direccionada e como os outros falharam no método de emprego. Pergunto de que se trata. Na resposta vem que “é aquela notícia que fez ontem manchete no jornal”. Pois bem, esclarecida. Era óbvio.

Podemos então concluir que uma das consequências do individualismo exacerbado contemporâneo é que, enquanto o mundo de cada um se fragmenta e se recombinam os pequenos pedaços em diferentes sequências, a percepção que temos do mundo dos outros mantém-se equivalente à que teríamos tido enquanto habitantes de um mundo mais ou menos uniformizado – onde o serão se passava em torno da mesma virtualidade noticiosa, das mesmas novelas brasileiras e dos mesmos programas ‘popularuchos’ (não resisti a usar unilateralmente a conotação negativa da uniformização, embora saiba que aquela não está sozinha – há também a vertente da identificação, que não está de momento em causa).

O dicionário diz-me que “aquele” é um pronome demonstrativo. Queixo-me: aqueles que o usam com mais frequência costumam demonstrar muito pouco…

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