Copy > Paste #33

“Na segunda metade do século XVII verifica-se uma mudança na forma do código: da idealização para a paradoxização. Tal forma modifica-se novamente na transição para o amor romântico, por volta de 1800, dando lugar a uma forma de reflexão da autonomia ou da auto-referência. A unidade do código é, consequentemente, sobretudo um ideal, depois um paradoxo e finalmente uma função, nomeadamente a função de conceder autonomia à reflexão. Uma vez imposta a transformação, a função do código passará a ser a de possibilitar uma orientação para os problemas no âmbito do quotidiano.

De acordo com isto variam os pontos de vista através dos quais se pode fundamentar o amor. Enquanto se tratou de um ideal, era necessário o conhecimento das qualidades do objecto. No âmbito da qualificação paradoxal, o amor justifica-se através da imaginação. Quando a autonomia das relações íntimas é finalmente conseguida e transformada em reflexão, o (inexplicável) facto de se amar é quanto basta à justificação. O amor justifica-se a si próprio enquanto contexto justificativo auto-referencial.”

in O Amor como Paixão – Para a codificação da intimidade, by Niklas Luhmann

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