O intelectual das massas

É extremamente difícil escrever-se boa prosa, num estilo distinto. Tarefa quase impossível, então, se o escritor contar entre os seus objectivos o de entreter o leitor. Alguns, poucos, conseguiram-no.

Destaco um pela sua capacidade quase irritante de escrever textos que me incitam a citá-lo página sim, página sim. Qualquer folha de apontamentos que sirva para registar uma ou outra frase memorável vai arrastar consigo o resto do caderno, e crescer até se parecer com uma réplica do livro.

Oscar Wilde. Há quem diga que escreve para as massas, easy entertaining, obra claramente fora do círculo da cultura intelectual. Ora, meus caros, Oscar Wilde é entertaining, mas numa acepção diferente daquela de que os neurónios devem fugir por receio de intoxicação – aquilo a que esse desdém parece aludir.

A escrita de Wilde é sedutora, elegante, mas recheada de sentido de humor, polvilhada de referências culturais e regada com alguma ambiguidade. Mestre dos aforismos, referência para a literatura moderna, impressa e em formato bloguístico.

E depois as personagens. Nas suas peças não há figuras desinteressantes, todos têm uma frase a dizer, quer seja validada pelo conteúdo quer o seja pelo estilo.

Ainda, os alvos de estimação: mulheres, jornalistas, norte-americanos. Mesmo sentindo o dardo na pele, torna-se impossível não ceder perante a graça e a elegância de tal discurso satírico. (E ainda insistem em que às mulheres falta o sentido de humor).

Lanço então três dardos de Wilde, pela ordem respectiva de destinatário:

“Women have a wonderful instinct about things. They can discover everything except the obvious.” (in An Ideal Husband)

“Journalism is unreadable, and literature is not read.” (in The Critic as Artist)

“The youth of America is their oldest tradition. It has been going on now for three hundred years.” (in A Woman of no Importance)

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2 thoughts on “O intelectual das massas

  1. deixo-te outro sobre a vida:’La vida lo vende tudo demasiado caro, y nosotros compramos sus más mezquinos secretos a un precio monstruoso e infinito’Oscar Wildeeu não sou consumistaSofia

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